domingo, 10 de fevereiro de 2008

Minha mãe me coloca de castigo. sem net.! o que faço....!? WordPad, né.! =)

Nem mesmo se sentia a vontade em seu próprio quarto. Preferia sempre estar em casa, vendo tv ou cuidando de suas plantas. Mas seria uma desfeita não ir ao aniversário de sua bisavó que sempre fora bastante atenciosa com ela e seus irmãos. A comemoração estava sendo feita na casa de sua tia, Fernanda, a mais tagarela delas. Nunca se sentiu tão desconfortável em uma sala com 12 pessoas e crianças correndo e gritando feito umas bixas estéricas, para lá e para cá. Estava sentada no sofá, ao lado de uma de suas primas mais velhas, Sarah, que amamentava seu primeiro filho, Igor.
Enfim chegara a hora de todos começarem a dizer o quanto ela era caladona demais. E fazerem brincadeirinhas do tipo: " Nossa como você fala." "É você é muito chata, não pára de falar.". " Muito tagarela." . Realmente 'muito' divertido...
Ficaria no sofá até que tudo acabasse. Evitava olhar para qualquer pessoa, porque se sentia mal com todas aquelas espinhas em seu rosto e não seria coisa normal de adolescente, mas sim, um caso dermatologicamente grave. Ela até achava que se uma daquelas suas espinhas enormes e de pus estourasse ela teria uma hemorragia. Recusava todos os salgadinhos e docinhos que ofereciam porque tinha vergonha de comer na frente das pessoas, só aceitava os refrigerantes.
A verdade é que tinha medo de ser tão cruel e estúpida não sendo tão calada quanto era. Achava muito mais delicado sempre não dizer nada e responder o máximo possivel de perguntas apenas com gestos e algumas expressões. " Quando é que você vai dar um jeito nesse SEU cabelo.?" "Quando é que você vai cuidar dessa pele?" "Como é que você vai arrumar um namoradinho se você nem depila essas pernas? Isso daí parece perna de homem." " Você tá muito magra." Quando é que vocês se calam? Mas ela respondia a tudo com um sorriso fechado e sem graça. Mesmo que não fosse resposta para todas aquelas perguntas que a faziam, de uma certa forma, se sentir inferior.
Tinha primas muito bonitas. Uma vez estava na cozinha com mais três primas que ajudavam também a sua avó e a sua tia Amélia com as coisas para a ceia de Natal, quando a tia disse: " Vocês são as mais bonitas das primas." disse isso olhando apenas para as três. Logo depois a tia disse olhando para ela: "Você também." Mas ela percebeu que dizia aquilo apenas para ser gentil, que o que dissera teria valido apenas para as suas primas.
Não podia evitar que se sentia vazia. Como se ela fosse um livro deixado numa mesinha onde, de vez enquando, alguém desse uma olhada.

[ . . . ]

Sempre sentia frio quando se sentia sozinha. Ou talvez fosse apenas um arrepio. Mas havia um certo 'gelo' dentro dela, algo tão frio que a fazia ter febre, surtos, delírios. Mas tudo sempre muito discreto. Ninguém precisava saber de seus conflitos. Era algo exclusivamente seu. E de certa forma ela gostava. Ela queria isso. Não se importava tanto em sentir suas mãos geladas, ver suas unhas roxas, e desejar intensamente outras mãos.
Era também bastante sensivel. De forma que não suportava. Sempre se apaixonava e achava impossivel que se apaixonassem por ela e isso a confortava porque achava um tanto ridículo todos os casaisinhos com suas formas de carinho estupidas e talvez nem tanto sinceras. Na verdade não suportava a idéia de tempo, de perda, de passado, de acabar. Queria que certas coisas fossem mesmo para sempre. Ela às vezes amava de repente, do nada, qualquer pessoa, ou todas elas. Mas amava tanto que tinha que se isolar mais ainda, para que não percebessem nada. Amor assusta...

Última cadeira da fileira encostada na parede. Era onde se sentava. Desde pequena. Não se sentiria bem em nenhum outro lugar. Se sentasse na frente da turma, estaria mais "visivel", sentada atrás, apenas teria a visão de toda a turma; poderia " controlar" tudo. Nunca dormia na noite anterior do dia da primeira aula do ano. Ficava bastante nervosa e só se sentiria melhor pela segunda semana de aula. A escola era a fuga de casa, onde se sentia muito mais confortável, liberta de tudo, até de si mesma. Tinha apenas uma amiga. E era tão igual a ela que isso a assustava. Tão deprimida e tão deprimente quanto ela. Não faziam sucesso com os garotos da escola, e até faziam isso ser divertido.


_Quero morrer de amor.
Achando que é assim
com todo mundo.
Que as pessoas passam a amar tanto
e achando isso tão impossivel
morrem para não ter que explicar nada .
Ou se assumir poeta._



Chorava como se não soubesse mais
fazer qualquer outra coisa.

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